segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

dúvidas e convicções sobre a crise económica

Não sou economista, nem versado em questões da economia. Mas.. tenho uma carteira e conta bancária e também tenho cartão de eleitor. Estava a pensar em como organizar as minhas dúvidas e convicções sobre a crise económica. E não é fácil seguir uma linha de racionalização clara.

Por um lado aponta-se o dedo às estratégias imediatistas para obtenção de lucros, acompanhada por falta de controlo aos gestores por parte dos accionistas e pela excessiva dimensão de algumas das empresas-actores do mercado. Conclui esta linha que a crise económica decorre da falta de regulação dos mercados.
Numa outra perspectiva, há quem diga que o mal está em não deixar o mercado funcionar, deixando ir à falência as empresas mal geridas.

Como muitos vejo sentido nas duas linhas apresentadas. Ambas têm validade. A primeira interpretação está mais ligada aos defensores do controlo e da regulação - à esquerda. A segunda ligada aos liberais económicos para quem o mercado não deve estar sujeito a regulações artificiais - em Portugal, na direita.

Acredito que o Mercado tem capacidade para se auto regular; mas dentro dos resultados possíveis desta auto regulação incluem-se injustiça social, fome e doença em proporções que não estou disposto a aceitar. Acho que o Mercado existe agora, sempre existiu - e os resultados são os que se vêm na história e no presente.

Economia Abrupta

A economia entrou num comportamento que não permite fazer previsões. Um estado de imprevisibilidade maior que na meteorologia. Recordo a célebre expressão sobre o bater de asas da borboleta.
Para agravar, acho que a economia actual tem uma componente emocional que me parece bizarra e influente: quer como causa de perturbação, quer pelos ecos emocionais que propaga. Quase bipolar.
Desde os anos 60-70 o valor da moeda é medido em dívida. É uma relação estranha onde: valor = moeda = dívida = credibilidade = emoção
Hoje em dia moeda é dívida. Não é ouro, nem prata, nem aço, nem terreno, nem sal. Moeda é dívida. E o valor de uma dívida depende da crença em que vai ser paga.

sábado, 24 de janeiro de 2009

Funcionários Públicos

A avaliação dos professores já anda a enjoar (há) muito.
Há algum sistema de avaliação mais eficaz do que comparar o desvio das notas dos alunos dadas pelo professor com as notas desses alunos em exames nacionais, corrigidos anonimamente pelo corpo dos professores. Há alguma medida mais correcta? Sem balelas.

Mas..
Qualquer avaliação serve. Tem que separar trigo de joio - leiam outra vez e notem bem a expressão. No final tem que se comparar resultados da avaliação com melhorias no desempenho dos alunos.

E por definição matemática: nem que a avaliação só esteja correcta 20% das vezes isso já é um factor de melhoria, porque hoje é 100% como sempre foi; e com os resultados que se vêm!

Mais! Quando é que alguém se vai dar ao trabalho de fazer sondagens a acompanhar isto? Ou é uma vaca que deve ser ordenhada devagar?

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Um partido que não serve o País

Porque é que os portugueses hão-de confiar num partido cuja principal estratégia de oposição é esperar que o governo caia.
«Vamos dar-lhe corda que eles hão-de enforcar-se».
«Não lhe mexas que há-de cair de podre».

Que tipo de atitude é essa «estou na oposição e tenho grandes ideias para o País.. mas vou guarda-las pra mais tarde. Não quero que o governo mas roube; melhore a vida aos Portugueses e fique com o crédito de que eles é que sabem ouvir e fazer.»
É melhor esperar dois ou três anos. Os portugueses perdem pouco e eu afinal ganho o poder.

....!? Que atitude é esta?
Vale a pena compensar este tipo de estratégia de esconder a criatividade e as boas ideias.. como é que o País pode perceber a diferença para os que NÃO TÊM criatividade e boas ideias ?

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Aí e tal, as gasolineiras querem cobrar uma taxa pelos pagamentos com cartão

Ando aqui com uma pulga na orelha que me diz que O Sistema me anda a arrombar a porta de saída. Agarra aí na pontinha da meada e anda comigo.

Os comerciantes têm que pagar todos os seus custos. E - se assumirmos uma concorrência adequada - têm pouco controlo sobre o preço dos seus produtos.

Parece razoável dizer que aumentando um custo ao comerciante, ele acabará por o fazer reflectir no preço que cobra aos clientes.

Noutro factor: se um comerciante for obrigado a aceitar pagamentos quer em dólares e quer em euros, uma venda de 1.00€, a ser paga em dólares teria que ser feita por $1.58 (dólares).

Mas, por hipótese: e se o comerciante tiver que cobrar o mesmo numerário, quer em dólares, quer em euros? Seria de esperar que a larga maioria dos clientes pagassem $1.00 (dólares) *.

- O que é que os comerciantes teriam que fazer para compensar isso?

Subir o numerário.

Humm..

Para o comerciante isto é o que acontece com a existência de várias formas de pagamento: em dinheiro, por cheque, por cartão de débito, por cartão de crédito, etc..

Por tradição, cabe ao comerciante suportar os custos das várias formas de pagamento e oferecer ao cliente Um preço. É mais fácil vender se na mesma loja houver um preço por cada produto.


Em Portugal o comerciante está impedido (por via de lei) de fazer reflectir individualmente sobre o consumidor o custo da transacção.

Pergunto: - porque há-de ser obrigatório? - Porque é que está escrito?


- O que é mais importante para o comerciante: a forma de pagamento ou a venda?


- Quem é que decide a forma de pagamento a usar?


- Há concorrência entre as formas de pagamento?


- Quem é que faz concorrência entre as formas de pagamento?


- Como é que os bancos ganham dinheiro com os cartões de crédito/débito?


- Como é que dá margem que chegue para devolver aos utilizadores 2-3% das despesas em compras?


- Quem paga estas taxas de utilizar o cartão?

terça-feira, 10 de junho de 2008

Sócrates, o combustível

Os combustíveis e a inacção foram o rastilho da implosão Guterres.
Curiosamente Guterres não errou ao agir sobre a alta dos preços dos combustíveis. Errou ao prever as consequências do caminho que escolheu.

Sócrates não quer mexer nesta merda que é o preço dos combustíveis - tem medo que cheire mal - mas... ...já cheira mal, só os narizes habituados é que se aguentam.

Quanto mais esperar maior será o ónus de escolher fazer alguma coisa. Cada vez mais serão visíveis as consequências da falta de acção. E cada vez mais será difícil aceitar a mudança.
É um beco sem saída! Um erro.

Há expressões, sínteses, frases que, pela forma, pelo conteúdo ou pela origem, evidenciam o modo de estar de uma sociedade. Dizia, há dias, um camionista, sobre os impostos do combustível: "Governar assim é fácil.".

Governar assim é fácil. ...

O preço dos combustíveis é função de vários factores. Não depende apenas do preço do petróleo e do imposto sobre os combustíveis. São os factores de maior peso.

Porque não é possível baixar já o imposto sobre os combustíveis?
Com o aumento do preço dos combustíveis, os custos suportados pelo do estado também aumentam, mas aumentam menos - não estou a ver o governo a aumentar os salários dos FP; é nessa proporção que o imposto pode ser abatido.

É possível baixar impostos aos consumidores finais ?
Ainda muita gente se lembra quem está a lucrar com o abatimento do IVA para os ginásios. Ou a descida o imposto automóvel (que, comprovadamente, foi comido pelo vendedores)

Porque não se pode acabar com o oligopólio?
Os revendedores parecem ser os mais indicados para pressionar a descida de preços. Ainda não entendi porque é que não é dada razão à ANAREC - o que é que os portugueses ganham com isso?

Porque não tornar obrigatória a publicação dos preços dos combustíveis em local acessível aos consumidores?
A iniciativa do site maisgasolina.com é excelente mas tem limitações de velocidade de actualização dos preços. Não parece difícil tornar obrigatória a publicação de preços por posto de venda.
E que se passa com os painéis nas autoestradas que nunca mais foram em frente?

Parece pouco... mas é alguma coisa. E politicamente, estas acções podiam ser embrulhadas num papel de várias cores. Ao fim e ao cabo as intenções também contam.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

TASER X86

A ONU chama-lhes instrumentos de tortura. No Canada já foram proibidas por terem causado várias mortes. Nos EUA existem vários casos documentados de utilização desproporcionada, de utilização em doentes mentais, deficientes físicos e em crianças.

Portugal escolheu comprar as Taser X86. Foi apontado como um mau exemplo num relatório da ONU.

Neste assunto espanta-me a forma mecânica como os jornais (jornalistas) retransmitem os factos sem um mínimo razoável de análise ou de atitude critica. Por outro lado, espanta-me que tenha sido adquirida por um governo de bandeira socialista-que-suporta-as-liberdades-individuais.

As Taser X86 são classificadas armas não-letais. São comercializadas sob o beneficio de evitar que as forças de segurança tenham que recorrer a armas letais, evitando mortes desnecessárias - o que até é positivo, se bem enquadrado.

Naturalmente quem as comercializa não sublinha o facto de, pela sua disponibilidade, (trans)portabilidade e facilidade de utilização, tornarem mais fácil e acessível um método de indução de dor. E que (para agravar) deixa marcas de aplicação pouco visíveis.

Na perspectiva de quem usa a arma, os riscos associados a uma utilização imprópria são muito menores que quaisquer outras ferramentas ou métodos de controlo de pessoas. O agente que for apanhado sujeita-se às mesmas consequências de sempre. Contudo a probabilidade de ser apanhado ou de ser apanhado sem oportunidade de distorcer a situação é muito menor.

Embora muito discutível, encolho os ombros às mortes que serão causadas pela aplicação destas armas em pessoas que não têm saúde para tal.

Preocupo-me muito com a aplicação sobre inocentes - erradamente ou como forma de provocação ou de extracção de pseudo-confissões.

Assusto-me de pensar que algumas das mortes do primeiro grupo também façam parte do segundo.

Quais são os procedimentos associados à utilização destas armas? Em concreto, nas forças de segurança em Portugal.

Existe algum procedimento escrito? Está prevista alguma medida de verificação? Quais medidas? Quem toma essas medidas, as chefias?

Presunçosamente,

Boa noite e boa sorte.