segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Verdades ovo/galinha

The self-fulfilling prophecy is, in the beginning, a false definition of the situation evoking a new behaviour which makes the original false conception come 'true'. This specious validity of the self-fulfilling prophecy perpetuates a reign of error. For the prophet will cite the actual course of events as proof that he was right from the very beginning.

por Robert Merton.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Egipto: Obama fala ao Cairo, outra vez

Manisfestantes pacíficos no Egipto a 25 de Janeiro de 2011

Depois de 3 dias de manifestações, depois do regime ter declarado todo o povo como inimigo (fechando as redes de telefones moveis, os SMS e toda a internet), depois de um dia de manifestações pacificas onde os manifestantes foram acolhidos com mesquitas cercadas na hora da oração, com balas de borracha, acessos cortados (em especial à praça Liberdade, a maior praça de Cairo) e com centenas, se não milhares, de latas de gás lacrimogéneo Made in USA; depois de Mubarak dizer aos egípcios que só se manifestaram porque ele autorizou, porque ele, magnânimo, lhes havia concedido essas liberdades; depois de Mubarak provocar e ameaçar os manifestantes - Obama aparece a falar dos direitos humanos dos egípcios e da necessidade de respeitar os manifestantes pacíficos.

Depois de todas as provocações, depois arrasarem e desconsiderarem as manifestações pacíficas, depois de não deixarem quaisquer alternativa pacífica aos egípcios, as palavras de Obama só soam a bonitas para quem não acompanhou as manifestações; para os egípcios manifestantes, não passam de um reforço às justificações de Mubarak para dispersar as manifestações à pancada.

É difícil ser uma superpotência em decadência.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Tunísia, Egipto, Iémen, ...


terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Vai ler o Facebook!

Como se previa, o pior Presidente da República conseguiu ser reeleito. Por incompetência. Os candidatos não conseguiram enquadrar os vários casos duvidosos que rodeiam Cavaco, nem as escolhas efectivamente tomadas por Cavaco, na esfera das escolhas políticas e das escolhas éticas. O povo deu-lhes os ouvidos que se dá a uma maquina de lavar roupa - apenas se ouve o barulho quando é nova.

Gostava de conhecer em mais detalhe as relações da família Cavaco com o BPN/SLN, com Horta e Costa e com Dias Loureiro. De conhecer melhor os contornos duvidosos daquela permuta de propriedades imobiliárias, especificamente se foi usada como uma forma de atribuir riqueza a Cavaco Silva ou, noutra hipótese, se serviu para fugir a impostos. No fundo, gostava de perceber melhor se Cavaco é apenas uma marioneta dos interesses que o rodeiam ou se ele próprio percebe as consequências das escolhas políticas que faz e o papel que desempenha.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

No SIMPLEX funciona tudo assim?

Que foi isto com os Cartões do Cidadão? O local de voto foi mudado com a atribuição do CC e ninguém disse às pessoas para onde tinham sido mudados? Que brincadeira é esta?

Que seja obrigatório mudar o local de voto para a freguesia de residência eu concordo completamente, que isso seja feito de modo sistemático até me parece benéfico. Agora fazer a mudança e não detalhar especificamente aos cidadãos como e para onde foi feita essa mudança é inaceitável. É inaceitável mesmo criando meia dúzia de remedeios para os cidadãos procurarem essa informação. E é duplamente inaceitável que esses remedeios não funcionem. Foram displicentes na implementação e displicentes no remedeio. É errar ao fazer e voltar a errar ao tentar corrigir. É demasiada incompetência. Quem foram os responsáveis por isto?

Não foi á muito tempo estava a falar com um presidente de junta que me dizia que isto do SIMPLEX era tudo uma treta mal amanhada. Dizia-me que as freguesias de morada estavam a ser atribuídas automaticamente em função do código postal. Que, por isso, os recebimentos da freguesia tinham sido alterados incorrectamente por atribuição de moradores a uma freguesia vizinha. Ora o código postal é uma atribuição técnica que só depende dos objectivos dos CTT. Oficialmente a delimitação administrativa é organizada e secretariada pelo IGP através das cartas administrativas oficiais (CAOPs). Explicava-me ele que numa rua urbana que separa as freguesias, onde o código postal é o mesmo, de ambos os lados da rua, porque o código postal nomeava a freguesia vizinha perdeu os fundos correspondentes aos moradores dessa rua, apesar de se manter obrigado perante estes cidadãos.

Isto é um sinal objectivo de incompetência. A não ter responsáveis objectivos mostra facilitismo, irresponsabilidade e displicência, que tocam todo o programa de desburocratização.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Perguntas essenciais das eleições presidenciais

Coelho
O Garajau, é para vir ou para ficar?

Moura
É a sério ou só a brincar?

Lopes
Quando é a próxima greve geral?

Nobre
Ainda acredita na isenção dos nossos meios de comunicação social?

Alegre
Que Presidente vamos ter depois das cerimónias e visitas ao estrangeiro?

Cavaco
Que Portugal é que os portugueses pretendem na segunda-feira dia 24 de Janeiro?

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

A falta de cooperação europeia é um imposto caro

É cada vez mais óbvio que a falta de cooperação europeia, a cultura "individualista" e imediatista da larga maioria dos governos europeus está a promover um imposto que pagamos a estrangeiros. Primeiro pagam os países pequenos depois pagam os grandes. O benefício fica fora da Europa.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Cavaco não criou os corruptos deste país

Mas foi Cavaco que os promoveu a ricos.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Um debate que não interessa

Hoje, na blogosfera, todos falam do debate.

Há 2 anos:
BREAKING NEWS : Manuel Alegre garante reeleição de Cavaco Silva

Há 1 ano:
Manuel Alegre redux
Cavaco Silva acha que a verdade incomoda as eleições
Obviamente, demita-se.
Cavaco deve falar com alguém. Deve consultar o Conselho de Estado [ainda ignorava a companhia de Cavaco no Conselho de Estado]
Cavaco Silva é mentiroso, com mais de 33% de probabilidade

Há 6 meses:
Manuel Alegre, o auto-intitulado merecedor e vitima de perseguição


Para mim este debate é uma triste recordação da inexorável inevitabilidade das burrices políticas.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

A lei é igual para todos?

Hoje, depois de tudo, ainda é sensato esperar que as leis servem para fazer justiça?

As leis têm um prazo de validade extremamente curto, o que em si mesmo é mau, mas temos pior, as leis e o enquadramento que as justificam podem ser relativizados e distorcidos por forma a obter uma lei que desdiz completamente o enquadramento anterior. Pior Ainda, muitas das leis são feitas à medida para encaixar nos restritos interesses de uma parte muito limitada e definida da sociedade, em prejuízo dessa mesma sociedade. Ainda Pior, a lei pode ser completamente ignorada fazendo aplicar soluções que não eram admitidas pela própria lei.

Em Portugal são os PIN, são a (não) nomeação dos controlos de segredos de estado, é a arbitrariedade com que se espia a vida de pessoas com escutas ilegais, é o banco que é nacionalizado com uma lei aprovada em 4 dias, é o financiamento dos partidos que é alterado dia-sim-dia-não, agora para pagar multas que são depois descontadas como despesas!!!
Lá fora são os raptos internacionais, é a tortura, é a corrosão complacente da independência judicial, são os aprisionamentos temporalmente indefinidos, é a comunização dos prejuízos.

Quantas mais aberrações é responsável tolerar? Será que é altura de colocar os portugueses a escolherem a sua linha na areia, o seu limite do aceitável?

Vivemos tempos assim tão mais iluminados e tão mais novos que os nossos antepassados?

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Defensor Moura sobre a regionalização

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Liberalismo com copyright

A próxima tarefa é encontrar dentro da União Europeia soluções de combate à pirataria para aplicar em Portugal. Nilza de Sena quer que o "assunto deixe de estar num limbo de impunidade".
Nilza de Sena, vice-presidente do PSD, recebeu ontem à tarde a Associação Fonográfica Portuguesa (AFP) para uma reunião sobre pirataria, comprometendo-se em auxiliar a causa dos artistas.

LINK: PSD jura combate à pirataria, no CM.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Falso

adj.
1. Não verdadeiro; não verídico.
2. Fingido, simulado.
3. Enganoso; mentiroso.
4. Desleal, traidor.
5. Adulterado, falsificado.
6. Suposto, que não é o que diz verdade.
7. Pessoa falsa.
8. Esconderijo; vão dissimulado debaixo duma escada, dum móvel, etc.

adv.
9. Com falsidade; em falso.
em falso: errando o passo, a pancada, o movimento, etc.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Wikileaks: os lindos amanhãs que agora chegam não existem

Anda por aí muita gente a dizer que chegou uma nova era com fugas de informação em proporções até agora não conhecidas. É falso. Ou melhor, é uma conclusão errada. Muito errada. É feita por gente ligada aos media e a ONGs. Não é uma asserção de quem desenvolve tecnologia informática.

Este "fenómeno Wikileaks" é isolado ou de curto prazo. Como comparativo rápido, os senhores Jacinto Leite Capelo Rego e Hiro Kumata não vão voltar a fazer quaisquer donativo a quaisquer dos partidos políticos portugueses.

Uma das coisas que qualquer pessoa com formação em ciências aprende é que a soma de todas as entradas menos a soma de todas as saídas é igual àquilo que fica. É verdade que em informática é barato copiar, muito barato, mas isso só acontece porque os equipamentos assim o permitem (e quando um equipamento não permite liga-se-lhe um que consiga) - hoje é assim, mas não tem que ser. Os equipamentos podem ser desenhados para só passarem informação a equipamentos que não deixam copiar essa informação. Essa tecnologia existe hoje e está a ser usada e promovida, é a tecnologia DRM de gestão de direitos de autor - é uma tecnologia de controlo do acesso à informação (a parte da vigilância e repressão dos copiadores são outras ferramentas). A curto prazo a tecnologia tipo DRM vai ser adoptada pelas instituições que gerem informação com valor económico e político.

Não vai haver maior transparência por haver mais fugas e mais organizações tipo Wikileaks ou Openleaks. As fugas vão continuar a ocorrer mas vai ser o documento que foi scanado em casa ou o ecrã do computador que foi fotografado com o telemóvel pessoal.

A expectativa de maior transparência decorre apenas de que guardar segredos vai ser mais complexo, mais hierárquico e portanto mais rígido e mais caro. As organizações que dependem de segredos vão reorganizar-se para manter a flexibilidade e criatividade.

Para aqueles que esperam mais do que isto, aqueles que acham que o publicado pela Wikileaks justifica ir mais longe do que isto, não volta a haver outro caso comparável - not in your lifetime.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Wikileaks: para organizar ideias

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Os velhos e os jovens

Os cobardes andaram anos a votar no ladrão que também rouba um bocadinho para eles, hoje os jovens pagam com desemprego e dias de trabalho de 10 e 12 horas, amanhã vão pagar com mais ameaças, mais desemprego, pior saúde e piores reformas.
Depois pedem-lhes que saiam de casa e que tragam netos.

A cobardia e a estupidez humana não têm limites.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Wikileaks: casos que justificam a publicação

Abafados pelos discursos de "faz de conta que os telegramas não têm informação importante" estão os casos que merecem um olhar atento e uma investigação aprofundada. Publicados 1300 telegramas de entre 250 mil, estes são os casos que justificam extensivamente a relevação dos telegramas que lhes estão associados.

Corrupção de democracias aliadas para esconder a verdade sobre as armas de destruição maciça no Iraque e sobre os casos de tortura americanos
É por demais revelador descobrir que os EUA promoveram a interferência do poder executivo sobre o poder judicial em democracias aliadas, como mostram o esforço e as tentativas repetidas dos EUA para varrer dos tribunais espanhóis e alemães casos contra soldados, políticos e agentes da CIA americanos conseguindo fechar a porta a acusações formais de de crimes de guerra e de tortura em Guantanamo.
Na Inglaterra o governo só prometeu proteger os interesses americanos no Inquérito Chilcot sobre a guerra do Iraque.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Wikileaks: falar antes de perceber

Nesta discussão sobre a publicação dos telegramas entendo que o conteúdo de muitos tem informação relevante, que devia ter sido passada aos eleitores. A troca de valores que justifica algumas das acções diplomáticas deve ser do conhecimento dos eleitores.
Ainda só foram publicados cerca de 1000 telegramas de 250000. Infelizmente muitos preferem discutir o mensageiro, por vezes de forma ignorante ou manipuladora, como:

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Isto cabe na definição de Fascismo

O caso dos telegramas americanos libertados pela Wikileaks está a revelar bem mais do que o conteúdo dos telegramas. Falo das escolhas e acções tomadas por uma série de grandes empresas. A participação voluntária de corporações (privadas) no exercício de censura e repressão em favor de um governo, num comportamento que cabe de forma declarada e óbvia na definição de fascismo. Falo da expulsão dos serviços de internet do site wikileaks.org por parte de empresas americanas ou que têm americanos como clientes.

A expulsão da Wikileaks da EveryDNS - tanto mais estranha porque a justificação técnica apontada não é razoável de ter acontecido.

O caso da Amazon, que invocou problemas de direitos de autor do conteúdo dos telegramas - recordo, esta é uma empresa que 15 dias atrás defendia a manutenção nas suas listas de vendas de um livro que era especificamente um manual de pedofilia - perceberam o que aconteceu aqui? A Amazon a defender um livro que promove e facilita a pedofilia como um caso de liberdade de expressão mas a classificar e expulsar a Wikileaks dos seus servidores por ser um caso de direitos de autor.

O caso da PayPal, empresa de serviços financeiros,subsidiária da empresa de leilões Ebay, que escolheu fechar a conta do cliente Wikileaks ao contrário de toda a história de protecção do secretismo individual da industria financeira.

Agora sabe-se também que a Twitter escolheu esconder das listas de tendências (que mostram as palavras mais twitadas) palavras como #wikileaks, #cablegate, #assange, etc.. Um caso de censura subliminar, escondida e completamente ao contrário da postura que foi adoptada pela Twitter quando da falhada revolução verde no Irão. A Twitter escolheu não apagar a conta da Wikileaks mas apenas impedir os seus utilizadores de conhecer e comparar a real proporção da reacção ao fecho do site Wikileaks por pirataria informática do governo norte-americano.

Estas são as empresas que dão nas vistas. A pergunta que fica é: que outras empresas e métodos poderão ser usados? Existirá alguma empresa de fornecimento de internet a limitar, atrasar ou impedir o acesso dos seus clientes a sites de informação relacionada com o caso? Qual é a postura de empresas como o Facebook ou Google? A que métodos sub-reptícios, a la twitter, poderemos estar sujeitos para condicionar a nossa opinião sobre este assunto? É legitimo que isso aconteça? De que forma é que isso poderia ser impedido?

domingo, 5 de dezembro de 2010

Crise da dívida soberana: too small to matter

Estava há pouco num zapping e passei pela France 24 onde estava a falar Jean Michel Six, economista principal para a Europa da Standard & Poor's. Ficaram-me três notas.

No fundo um LCD passava imagens dos países envolvidos, via-se a bandeira de Portugal, Lisboa, o símbolo da CGD, e o economista, nada, em uma palavra sobre Portugal. Falou da Irlanda, da Grécia, passou para a Espanha e ainda falou da França. Foi preciso o entrevistador perguntar especificamente de Portugal, na resposta apenas uma preocupação, o governo ser minoritário, e um passo seguinte, o governo português tem que ir para a estrada, na Ásia, no mundo inteiro, e convencer os investidores e potenciais investidores (da dívida portuguesa) que os resultados estão a ser atingidos.