sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Um caso de gripe A em Portugal

Hoje a falar com uns vizinhos cá da terra descobri que estiveram 4 dias fechados em casa por causa da gripe A. O filho adolescente foi passar uma semana a Espanha e chegou infectado mas ainda sem sintomas. Quando começaram a aparecer os sintomas de febre e distúrbios gástricos os pais ponderaram leva-lo às urgências mas tiveram a clarividência de ligar para a linha saúde 24 (808 24 24 24).

Com os sintomas e o histórico de viagens foi logo identificado como um caso potencial de H1N1. Foram imediatamente aconselhados a não sair de casa e esperar a assistência que se deslocaria a casa deles e os iria levar ao hospital São João no Porto (aqui a uns 60 km).

Foram levados ao hospital, recebidos em espaço próprio, diagnosticados, trazidos a casa e medicados. Foi-lhes recomendado não saírem de casa - nem os pais, nem os 3 filhos. Foi-lhes destacada uma delegada de saúde para acompanhar o desenvolvimento da doença, para os visitar em casa e para lhes levar a medicação.

Pelo meio uma da filhas de 6 anos ficou também infectada tendo sido acompanhada pela delegada de saúde.

Apenas tiveram falta de água engarrafada o que resolveram com um telefonema a amigos para que lhes deixassem a água à porta.

No final dos 4 dias foi-lhes dito que passou e deixados à vida deles.

Uma história de 1o mundo.

Fantástico, não é?

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Está a vista o liberalismo em Portugal. Passos Coelho: um burocrata ou um liberal?

A decisão das listas tem o mérito de ser muito clarificadora. Já ninguém precisa de ver o programa do PSD - depois de 4 anos de opiniões desconexas já se sabe para que lado vai coalescer o PSD. Com esta clarificação (que é bem vinda) ou MFL, acertadamente, continua o esforço de Sócrates em cumprir o programa proposto - o que seria um excelente sinal para a democracia portuguesa; ou enche o programa de palavras ocas que encantem as diversas correntes orfanadas dentro do PSD.

Mais interessante para mim é estarem à vista os valores que conduzem PPC e a ala liberal. Ou Pedro Passos Coelho assegura a sua longa carreira politica no aparelho do PSD ou assume as politicas que defende para o País. Porque as visões publicitadas por PPC e MFL são incompatíveis.
MFL usa o mercado, acredita nas corporações. MFL representa um PSD que quer diminuir o estado e aumentar o peso das empresas na sociedade mas que nunca se interessou em fiscalizar nem em agilizar o mercado. A postura perante as falências fraudulentas, perante a utilização dos subsídios agrícolas da PAC, pela forma como a ANACOM foi esvaziada para fechar o controlo das redes móveis à ONI e a forma como encara o desempenho da ASAE exemplificam bem que concorrência desleal nunca foi uma preocupação.
Já PPC fala muito mais em mercado. A minha grande dúvida é em saber quanto desse discurso existe apenas para encantar as juventudes de direita (naturalmente mais liberais e menos conservadoras). Perante esta escolha, PPC vai ter que mostrar o que tem mais valor na perspectiva dele: se a carreira de burocrata do PSD, se as ideias de mercado aberto para o País.
Paralelamente coloca-se uma questão parecida a todos aqueles eleitores que se sentem de alguma forma representados por PPC: abdicar do mercado em favor do corporativismo, das leis feitas à medida dos grandes grupos económicos e de um estado menor ou partir à luta num ano difícil para defender o liberalismo de mercado.

Com este exercício MFL coloca o liberalismo entre a ravina e a caverna. A escolha de Passos Coelho é particularmente simples. Esta escolha de MFL, além de clarificadora, tem a vantagem estratégica de relaxar as hostes do PS/Sócrates e com isso desmobilizar o combate político.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Incompetencia: o PSD não se enxerga

Não me é dificil imaginar um PSD onde fosse capaz de deixar o meu voto. Simplesmente não consigo. A visível falta de renovação dos corruptos do 2o mandato de Cavaco e a flagrante incompetência são demasiado caras.

No blog eleitoral Jamais pode encontrar-se um post com título a Incapacidade de olhar o próprio umbigo mas logo mais abaixo encontra-se:

O "Jamais" no Diário Económico
publicado por Rodrigo Adão da Fonseca em 03 Ago 2009, às 13:45
(...) Por erro, o Diário Económico apresenta o "Jamais" como se fosse um "blog crítico do PS". Esta classificação é da responsabilidade do DE. O Jamais é um blogue de apoio ao PSD nas próximas eleições, e tem o seu espaço de afirmação próprio, como aliás se pode constatar pelo seu conteúdo e pelo tipo de colaborações que foram dinamizadas. Fica o esclarecimento, para quem pudesse ter dúvidas.

No cabeçalho do mesmo blog pode ler-se o título do blog e uma definição:

Mais quatro anos de governo Sócrates? Jamais
Jamais - Advérbio. Nunca mais, outra vez não, epá eles querem voltar. Interjeição muito usada por um povo de dez milhões de habitantes de um certo cantinho europeu, orgulhoso do passado mas apreensivo com o futuro, hospitaleiro mas sem paciência para ser enganado, solidário mas sobrecarregado de impostos, com vontade de trabalhar e meio milhão de desempregados, empreendedor apesar do Estado que lhe leva metade da riqueza, face à perspectiva terrível de mais quatro anos de desgoverno socialista. Pronuncia-se à francesa, acompanhado ou não do vernáculo manguito.

Para mais um post no mesmo blog, sobre o mesmo assunto mas com outro nome.
LINK: As pessoas não são parvas

domingo, 26 de julho de 2009

Campanha bipolar

Não me recordo de uma silly season nomeada tão apropriadamente quanto este verão de campanha bipolar.

O PS de Sócrates encontra-se numa situação periclitante. Com um eleitorado desmobilizado quer pela crise global, quer por uma governação mais à direita que o desejado, quer pelas confusões de Manuel Alegre, quer ainda pelos seus 40% de professores e demais funcionários públicos que entraram em modo corporativo a proteger os seus privilégios. Também não estará alheio á doença da esquerda europeia.
As lideranças da esquerda portuguesa dividem-se entre aquelas que têm medo do que aconteceu em França e Itália, aquelas que acham que esse é um mal da Europa central, manietada pelos fascismos alpinos e as que acham que é necessário bater no fundo para conquistar a montanha.
Fica por saber de que lado está o eleitorado da esquerda. Se estão dispostos a tolerar um PS com um s minimalista ou se pelo contrário continuam fieis aos seus tradicionais e inegociáveis princípios.

Na direita, ofendida pelos casos Freeport e Independente, com o PSD mobilizado por uma grande vitória nas europeias e acossada por uma crise global em que muitos lhe apontaram o dedo, o eleitorado liberal parece disposto a aceitar tudo para segurar a sobrevivência Do Mercado no discurso político. Parecem até dispostos a aceitar o conservadorismo corporativo do PSD pós Cavaco Silva.
Sobre os conservadores patriotas vai saber-se quanto incomoda a aproximação e convivência com um Paulo Portas que teve tiradas tão patriotas como dedicar funcionários e recursos do ministério da defesa para copiar 60'000 páginas de documentos para uso pessoal.

Este é um verão que promete, tudo o que se fizer agora vai ditar a cor das folhas do outono.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Neda (1982-2009)

No que será por mim recordado como uma das coisas mais chocantes que vi e que espero ver na minha vida. Uma página sobre a vida de Neda Agha Soltan.

We Are All Neda

domingo, 21 de junho de 2009

Ética, abstenção e o diálogo de surdos

Há um fenómeno que é para mim razoavelmente novo, um extremo dialogo de surdos a um nível muito próximo dos eleitores.

É um patamar de conflitualidade onde eleitores e comentadores ignoram as motivações dos adversários políticos, classificam as suas e as outras opiniões com base em preconceitos e pressupostos e passam a gerar toda a argumentação política em volta deste desconhecimento.

Esta é uma situação particularmente má. Impede a geração de consensos e de resultados negociais ganha-ganha. Com prejuízos óbvios para o País e para os portugueses.

Abre a porta a que os políticos e agentes políticos disfarçados de comentadores possam dizer as maiores alarvidades sem que isso seja reprimido pelo seu eleitorado típico e conseguindo até garantir alguma vantagem eleitoral.

Como é que João Jardim ou Berlusconi ou Bush ou Sarkozy ou Chaves ou Tony Blair, conseguem tirar proveito de incontáveis e chocantes afirmações de meias-verdades, falsidades e alarvidades descaradas.

Por um lado, esta vantagem vive da facilidade com que este tipo de discurso abjecto se adiciona aos meios de comunicação tradicionais. O "sound-byte" e a dissonância são técnicas de comunicação que geram muita resposta que garantem presença mediática.

Mas esta indiferença dos eleitores perante as técnicas e deséticas dos políticos permite ainda juntar uma outra manipulação onde se ofende e desmotiva os eleitores típicos dos adversários políticos pela vantagem de conseguir meio voto com cada abstenção de um voto possível no adversário.

O eleitorado flutuante ou indeciso, muitas vezes referido como fiel da balança, é constituído por muito poucas pessoas dispostas a votar em diferentes partidos. A maior parte da indecisão cabe em saber qual fracção desses indecisos irá sair de casa e votar.

domingo, 14 de junho de 2009

Irão lá?

Telefones cortados, sms encalhadas, twitter, facebook e blogs com acesso impedido. Bloggers, lideres da oposição e críticos das eleições aprisionados.
...
Os instrumentos de censura (e de tortura) podem passar muito tempo na prateleira de um grande e bondoso sábio mas vem sempre o dia em que acabam por ser usados.