segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Um partido que não serve o País II

O partido que não se renova. Que não oferece nada de novo ao País. Onde estão as propostas para melhorar a democracia? Onde estão as propostas para envolver os portugueses? Quando é que vamos votar em pessoas? Quando se vai abdicar do caciquismo interno? Quando vamos ter acesso fácil às contas de um partido?

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

O Maior Escândalo do momento na Europa

Num caso com mais evidências que o Freeport descobre-se no jornal alemão Der Spiegel os eventos que relatam o perdão do Papa Bento XVI a uma congregação que nega a ocorrência do holocausto.
Deixo aqui uma tradução da sequência de eventos que levaram ao que é o maior escândalo do momento na europa.

Novembro 2008
Numa entrevista a uma estação de televisão sueca, na Alemanha, o bispo Richard Williamson nega que tenham sido gaseados Judeus no 3ª Reich. "Acredito que não existiram câmaras de gás," disse. Disse também que apenas 200'000 a 300'000 Judeus terão morrido em campos de concentração, em vez dos 6 milhões normalmente aceites.

Janeiro 19, 2009
O Der Spiegel noticia a entrevista televisiva de Williamson.

Janeiro 21
A entrevista é mostrada na televisão em Jan. 21; 2 dias depois da notícia no Spiegel. Nesse mesmo dia o Papa Bento XVI assina um decreto levantando a excomunhão a 4 bispos associados à ultra-conservadora Sociedade Santo Pio X (SSPX). Williamson, que nega o holocausto, é um dos perdoados.

Janeiro 22
Na quinta-feira o diário italiano Il Giornale noticia o decreto.

Janeiro 23
Na sexta, a agência noticiosa do Vaticano KNA relata que a procuradoria pública da cidade alemã Regensburg irá processar o bispo Williamson por quebrar a lei alemã sobre a negação do holocausto. Nesse mesmo dia o (mesmo) relato é emitido na radio Vaticano e publicado na página de internet.

Janeiro 24
No sábado, o Papa anuncia oficialmente que pretende aceitar o regresso à Igreja Católica de 4 bispos da SSPX. O representante público do Vaticano Federico Lombardi celebra a decisão como "um passo importante para uma completa unificação" da Igreja Católica.

Janeiro 26
A discussão aquece. O vice-presidente do conselho central de Judeus na Alemanha, Dieter Graumann, qualifica a decisão do Papa Benedito XVI como "um incompreensível acto de provocação.". A conferência de bispos alemã distância-se de Williamson. O vice-presidente do comité central de Católicos, Heinz-Wilhelm Brockmann, defende as acções do Papa como "uma tentativa de unificar a Igreja.".

Janeiro 28
Na sua audiência de quarta-feira, no Vaticano, o Papa Bento XVI renuncia a negação do holocausto. Oferece garantias aos Judeus que têm a sua "total e indisputável solidariedade.".

Janeiro 29
Federico Lombardi, representante público do Vaticano, explica que quem quer que negue o holocausto está a "negar os valores Cristãos.". Acrescenta que "esse é ainda um erro mais grave quando cometido por padres ou bispos.".

Janeiro 29
O Cardeal Dario Castrillon Hoyos alega que não sabia de nada sobre a controversa entrevista televisiva quando o decreto foi libertado. Hoyos foi um dos que liderou as negociações com a SSPX para o levantamento da excomunhão. O conselho central de Judeus da Alemanha corta o diálogo com a Igreja Católica.

Janeiro 19
O Papa promove o padre ultra-conservador Gerhard Wagner a bispo auxiliar de Linz. O bispo Richard Williamson pede desculpas ao Papa por ter causado "inconveniências e problemas.".

Janeiro 31
Numa entrevista ao Der Spiegel , o ministro israelita para os assuntos religiosos Yitzhak Cohen ameaça que Israel pode cortar relações diplomáticas com o Vaticano.

Fevereiro 1
Jean-Pierre Wils, um reconhecido Professor de teologia belga, anuncia que abandona a Igreja Católica.

Fevereiro 2
A sociedade SSPX exige mais poderes no Vaticano. O bispo Bernard Tissier de Mallerais diz ao jornal italiano La Stampa que ele e os seus seguidores não irão ficar satisfeitos apenas por serem reconhecidos pela Igreja: "não iremos mudar a nossa posição mas preferimos mudar Roma.".

Fevereiro 3
A chanceler alemã Angela Merkel exige que o Papa clarifique a sua posição e que diga à SSPX sem incertezas que a negação do holocausto não pode ser aceite. "Eu não acredito que tenha havido uma clarificação suficiente," disse Angela Merkel.

Fevereiro 4
O Vaticano exige que Williamson se distancie da negação do holocausto "de uma forma absolutamente inequívoca e pública" antes que possa ser completamente readmitido na Igreja Católica. O Vaticano admite também que não estava a par com as opiniões de Williamson quando decidiu revogar a excomunhão.

Fevereiro 5
A chanceler alemã Angela Merkel agradece a exigência do Papa para que Williamson renuncie à negação do holocausto. Outros políticos alemães mantêm-se críticos e dizem que tem que ser feito mais.

Retirado sem autorização no Der Spiegel, em 6 Fev 2009.

Relacionado: no público: Merkel e Bento XVI fazem declaração conjunta sobre bispo negacionista ; no diário de notícias: Excomunhão e Tolerância por João César das Neves

domingo, 1 de fevereiro de 2009

transparencia-pt.org

No blog virtualmente autêntico de Nuno Ferro encontrei um excelente link. Um site que facilita a procura sobre as compras efectuadas pela administração central, autarquias e empresas públicas.

http://transparencia-pt.org/ foi criado no âmbito da ANSOL, a Associação Nacional para o Software Livre.
Recomenda-se a consulta frequente e, já agora, a visita ao blog livro de reclamações que nos mostra coisas giras como os 380.666 EUR gastos pelo município de Ílhavo em 3 computadores e 1 impressora.

Há coisas fantásticas, não há?

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Enviesamento de confirmação

No passado dia 28-JAN o Diário Económico publicou na 2a página um artigo de opinião terrivelmente superficial. Um artigo titulado Gitmo blues diminuindo a importância e mérito de fechar Guantanamo.
Esse artigo foi retirado pelo diário económico mas sem que antes fosse referido em blog(s) de simpatias neo-republicanas.

À superficialidade desse artigo deixo a minha breve resposta:
Que a vida dos prisioneiros em Guantanamo ia ter que mudar para sempre (incluindo vigilância) já se tinha percebido. O que correspondeu desde logo a uma condenação sem julgamento.
Que havia e há (!) prisioneiros perigosos muito pouca gente nega.
Que a tortura não serve para obtenção de provas também se torna evidente pelas pequenas penas conseguidas.
Que as pequenas penas obtidas não vão reabilitar os prisioneiros parece óbvio; irão quando muito torna-los mais obcecados.
Que os inocentes presos poderão concluir que o ocidente é um demónio a eliminar parece-me natural.

E que agora (que Obama escolhe começar a fechar a vergonha) apareçam evidencias sobre as praticas terroristas dos prisioneiros libertados...
Mostra a falta de provas que baseavam os encarceramentos;
Mostra a irresponsabilidade na forma em como foram abordados os casos;
Mostra a incapacidade da tortura para obter informações que limitem a acção dos torturados;
..se for real...

Há uma forte possibilidade de estas noticias serem puras manipulações. Tiradas do mesmo saco que as noticias sobre as armas do saddam. Ou do mesmo saco dos que arbitravam a necessidade imperativa de Obama escolher um líder para a CIA na linha dos que lá estiveram.

É por isto que o destaque dado pelo diário económico merece verificação. Por isto e porque o autor se assina investigador universitário. Vestindo-se de uma credibilidade que não foi possível confirmar.
Do autor nada de sério aparece no Google. Só 3-4 artigos em jornais e transcrições para blogs que o acenam como referência. Quem é este fazedor de opiniões? Investiga o quê? Onde?
E porque é que vi um artigo no site do The Wall Streat Journal sobre exactamente o mesmo assunto, exactamente com o mesmo título?

Espero que o Diário Económico escolha mostrar que é mais credível e altere para melhor os critérios de escolha dos seus colunistas.

Na 2a guerra mundial os aliados ganharam em grande parte motivados pelo suporte moral das suas escolhas. E a vitória dessas escolhas ainda merece ser defendida.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

dúvidas e convicções sobre a crise económica

Não sou economista, nem versado em questões da economia. Mas.. tenho uma carteira e conta bancária e também tenho cartão de eleitor. Estava a pensar em como organizar as minhas dúvidas e convicções sobre a crise económica. E não é fácil seguir uma linha de racionalização clara.

Por um lado aponta-se o dedo às estratégias imediatistas para obtenção de lucros, acompanhada por falta de controlo aos gestores por parte dos accionistas e pela excessiva dimensão de algumas das empresas-actores do mercado. Conclui esta linha que a crise económica decorre da falta de regulação dos mercados.
Numa outra perspectiva, há quem diga que o mal está em não deixar o mercado funcionar, deixando ir à falência as empresas mal geridas.

Como muitos vejo sentido nas duas linhas apresentadas. Ambas têm validade. A primeira interpretação está mais ligada aos defensores do controlo e da regulação - à esquerda. A segunda ligada aos liberais económicos para quem o mercado não deve estar sujeito a regulações artificiais - em Portugal, na direita.

Acredito que o Mercado tem capacidade para se auto regular; mas dentro dos resultados possíveis desta auto regulação incluem-se injustiça social, fome e doença em proporções que não estou disposto a aceitar. Acho que o Mercado existe agora, sempre existiu - e os resultados são os que se vêm na história e no presente.

Economia Abrupta

A economia entrou num comportamento que não permite fazer previsões. Um estado de imprevisibilidade maior que na meteorologia. Recordo a célebre expressão sobre o bater de asas da borboleta.
Para agravar, acho que a economia actual tem uma componente emocional que me parece bizarra e influente: quer como causa de perturbação, quer pelos ecos emocionais que propaga. Quase bipolar.
Desde os anos 60-70 o valor da moeda é medido em dívida. É uma relação estranha onde: valor = moeda = dívida = credibilidade = emoção
Hoje em dia moeda é dívida. Não é ouro, nem prata, nem aço, nem terreno, nem sal. Moeda é dívida. E o valor de uma dívida depende da crença em que vai ser paga.

sábado, 24 de janeiro de 2009

Funcionários Públicos

A avaliação dos professores já anda a enjoar (há) muito.
Há algum sistema de avaliação mais eficaz do que comparar o desvio das notas dos alunos dadas pelo professor com as notas desses alunos em exames nacionais, corrigidos anonimamente pelo corpo dos professores. Há alguma medida mais correcta? Sem balelas.

Mas..
Qualquer avaliação serve. Tem que separar trigo de joio - leiam outra vez e notem bem a expressão. No final tem que se comparar resultados da avaliação com melhorias no desempenho dos alunos.

E por definição matemática: nem que a avaliação só esteja correcta 20% das vezes isso já é um factor de melhoria, porque hoje é 100% como sempre foi; e com os resultados que se vêm!

Mais! Quando é que alguém se vai dar ao trabalho de fazer sondagens a acompanhar isto? Ou é uma vaca que deve ser ordenhada devagar?